Wednesday, November 11, 2009

Café Café: Contra Fatos Não Há Argumentos

INDÚSTRIA
A indústria brasileira vive o paradoxo em que a FIESP (uma das federações) tem mais poder que a CNI (a confederação).

ACADEMIA
Docentes não apenas testemunham o êxodo intelectual, como também são obrigados a conviver com a falsa idéia, vendida por alguns setores da mídia, que toda fonte de produção do conhecimento contemporâneo no país lá se encontra.

POLÍTICA
A presidência da Câmara dos Deputados do Brasil – terceira na sucessão presidencial – é ocupada por parlamentares que tiveram sua vida política concebida no Império. A insatisfação do Poder Legislativo ficou evidente na penúltima eleição para presidente da Câmara, que levou um membro do baixo clero à presidência da Casa.

CULTURA
Os integrantes da orquestra sinfônica de São Paulo são mais bem remunerados do que os da brasileira. Madonna, U2, musicais e a grande maioria de eventos com protagonistas nacionais e/ou internacionais de peso ocorrem múltiplas vezes consecutivas na capital paulista, enquanto cidadãos de outras metrópoles brasileiras têm que viajar distancias descomunais para desfrutar destes singulares momentos. O argumento de que em metrópoles como Fortaleza, Porto Alegre, Belo Horizonte, Manaus, Recife, Salvador e mesmo Campinas (metrópole não capital) não haveria o quórum necessário já não é mais convincente.

FAMÍLIA
Mães, em particular, sofreram o rompimento da relação materna em razão dos filhos irem em busca de oportunidades profissionais só existentes no Estado de São Paulo.

Friday, October 30, 2009

Futebol: Política do Café Café no Brasileirão

Muitos pensarão. Futebol? Ah não... Quer queira ou não, este esporte é extremamente importante para a política e economia brasileiras. Portanto, ele é sim reflexo do que se passa nas demais esferas brasileiras. O futebol, não por acaso, sofre com as mazelas desta concentração de poder e renda. Há uma monotonia quanto à origem dos times campeões. Há anos times tradicionais como o Clube de Regatas do Flamengo, detentor da maior torcida do Brasil, deixaram o papel de protagonistas no cenário futebolístico nacional. Outros, igualmente importantes, como o Internacional, Cruzeiro, Grêmio e Atlético paranaense testemunharam títulos escaparem por muito pouco. Já Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro, Vasco, Coritiba, Bahia, Fortaleza, Náutico, Grêmio e Esporte, todos, tiveram passagens pela segunda divisão. A capital brasileira, Brasília, sequer possui um time na elite do futebol brasileiro. Coisa análoga ocorre com Pará, Amazonas, Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e tantos outros. Nem mesmo times tradicionais do interior paulista, como Ponte e Guarani, escapam desta política, focada na Avenida Paulista.

Não haveria problema algum com tudo isso caso esses incidentes fossem frutos de questões meritocráticas apenas, ou seja, conseqüências exclusivas de boas e más administrações dos clubes. Mas não são. Somente neste ano , dois clubes se sentiram tão prejudicados ao ponto de publicarem manifestos contra o que chamaram de favorecimento:

“Além de todas as críticas pesadas, Perrella ainda insinuou favorecimento aos times de São Paulo no Brasileiro ao comentar que a imprensa denunciou que o senhor Sérgio Corrêa tem despachado todas as sextas-feiras da sede da Federação Paulista de Futebol. "Se for verdadeira essa acusação, tal postura nos parece gerar constrangimentos e ser antiética", reforçou.” Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro.

“No entanto, para o dirigente, as atuações da arbitragem em jogos do **** não são premeditadas ou envolvem alguma entidade do futebol brasileiro. Carvalho garante que outros fatores fazem os árbitros terem mais cautela contra os paulistas. Não é complô (...)é um clube de São Paulo, e isso cria uma forma de não se poder arbitrar contra." Fernando Carvalho, vice-presidente de futebol do Inter.

Nossa intenção não é lançar dúvidas sobre o caráter dos nossos árbitros, na sua grande maioria, competentes e honestos. Mas é, sim, lançar luz na pressão – mesmo que invisível – que os mesmos sofrem para não errar contra times de certas localidades...

palavras-chave

igualdade; mudança;Brasil; hegemonia paulista;Café com Café; Café Café; política do café com café; eleições 2010; eleições presidenciais; pré-sal; Café com Política; Hegemonia Paulistana.

Friday, October 16, 2009

Brasil: Um país de todos?

Evidências regionais dos males causados pela monopolorização do país:

1.Centro-oeste e Norte do país. São um excelente exemplo do porquê uma descentralização seria muito benéfica ao país. Isto porque eles, embora possuam um potencial turístico e econômico imensurável, são comumente esquecidos pelo restante da federação.
2. Nordestinos. Apesar de realizarem o ofício mais duro deste país, os nordestinos são considerados por como a casta mais baixa da pirâmide social brasileira e, ironicamente, são tidos como preguiçosos. Apontados como culpados de todos os males do restante do Brasil.
3. Cariocas. Vêm crescentemente perdendo status na nacionalmente. A expressão "eixo Rio-São Paulo" sequer é mais pronunciada. A mudança da Fórmula 1 de Jacarépagua para Interlagos e o fato de que os times de futebol cariocas - tão gloriosos no passado - agora lutam para não serem rebaixados são apenas alguns dos diversos subsídios que sustentam essa queda de status.
4. Mineiros. Hoje, são lembrados por alguns apenas como protagonistas de piadas caipiras. Não se fala mais, por exemplo, que o Plano Real (o qual possibilitou o Brasil alcançar a tão almejada estabilidade econômica) foi, na realidade, fruto da "política do pão de queijo".
5. Baianos. Como se não bastasse integrarem a lista de "Nordestinos", o vocábulo "baiano" infelizmente é utilizado por alguns como sinônimo de cafona e brega.
6. Brasilienses. Brasília foi idealizada para sediar a capital do país. Mas após cinqüenta anos, alguns acreditam que esta filha de Oscar Niemeyer só é capital no papel. Um fato marcante foi a visita do George W. Bush ao Brasil, então presidente do EUA, que visitou o país, mas não esteve em Brasília.
7. Sul do país. Perdeu bastante prestígio político e econômico. Florianópolis sequer faz parte das capitais que sediarão a Copa de 2014 e o RS - outrora detentor de uma economia pujante - amarga, agora, índices de crescimento econômico pífios. As principais churrascarias e fábricas de móveis deixaram a região e é dito que os grupos políticos da terra da Revolução Farroupilha ficam agora à mercê das ingerências das sedes nacionais dos partidos - localizadas fora do estado. Nem mesmo a elegante e bela capital paranaense, Curitiba,foi capaz de atrair investimentos sem lugar no cenário político nacional. Por fim, Floripa, embora encabece a lista das capitais de melhor qualidade de vida do país, parece não possuir nenhuma expressão política. Prova disso são os fatos de que ela sequer sediará jogos da copa do mundo e a pouco atenção que se deu aos seus problemas recentes causados pela chuva. Fosse noutro lugar...

Monday, October 12, 2009

O que a eleição de 2010 tem a ver com o Pré-sal

PREÂMBULO
Dê-se 3 minutos para absorver o conteúdo descrito abaixo. É provável que já tenha lido muito sobre o Pré-sal e já se considere versado no assunto, mas há uma diferença entre a forma com a qual essa matéria foi aqui dissertada e as demais. Diferentemente dos muitos meios de comunicação hoje existentes, nós, autores desta, não somos filiados a partidos e/ou religião e, portanto, nossas idéias não refletem opiniões enviesadas. E, acredite, o desfecho do assunto alvo deste artigo vai mexer não apenas com o seu bolso, mas também com o legado que deixará para seus filhos.

O QUE É O PRÉ-SAL?
Afinal, o que é o Pré-sal? O pré-sal, grosso modo, é uma das maiores reservas de petróleo do mundo, capaz de levar o Brasil ao restrito grupo de países exportadores deste recurso – a OPEP. Encontrado a mais de 300 km da costa brasileira e a cerca de sete mil metros de profundidade, o pré-sal foi descoberto pela Petrobrás, empresa estatal que se utiliza da verba advinda de impostos pagos por todos os brasileiros para prospectar petróleo.

PETRÓLEO: “NOSSO” OU “DELES”?
O bordão "O petróleo é nosso" vem sendo entoado há mais de meio século, sempre objetivando a nos lembrar que os recursos naturais da “terra dourada” pertencem a todos os brasileiros. Incidentes recentes, contudo, leva-nos a refletir sobre tal exclamativa, ou melhor, a questionar o original sentido desta afirmação. Em outras palavras, a quem o pronome possessivo “nosso” de fato se refere no mote “O petróleo é nosso”? Observe que a frase em questão deixa margem a dúvidas. Monteiro Lobato se referia:
(1)de fato a todos nós brasileiros;
(2)ou apenas aos seus conterrâneos?

Sem sobra de dúvidas, Lobato – por toda sua coerência, ética e patriotismo – se referia `a primeira interpretação. E, até o mês passado, o governo federal vinha realmente apregoando que os dividendos do Pré-sal oriundos seriam mesmo catalisados para minorar a disparidade socioeconômica entre as diversas regiões do Brasil. Para tal, pensava-se em repartir os royalties do petróleo de forma equânime entre as 27 unidades federativas do país, isto é, os 26 estados mais o Distrito Federal. (Vale mencionar que os países que adotaram esquemas similares a este de partição, tais como a Noruega, são os que deveras lograram reverter os petrodólares em bem estar social da população.) Nada mais natural que isto, porquanto o petróleo foi descoberto pela Petrobrás, estatal “bancada” por todos nós brasileiros – através da quitação de altos impostos, vale frisar.

Contudo, no dia 30 de agosto último, um grupo de governadores capitaneados pelo governador de SP, José serra, em um jantar com o Presidente no Palácio do Planalto, demoveu-o de sua inicial intenção, qual seja, dividir igualmente os recursos do Pré-sal entre todas as unidades de federação. Da forma como ficou, mais uma vez o governo de São Paulo será o beneficiário preferencial e os demais estados serão alijados do progresso trazido pelo Pré-sal. Em outras palavras, a conotação do “nosso” será apenas “deles” e não de todos os brasileiros – é importante ressaltar que a nova legislação do Pré-sal em nada tem a ver com as regras para o petróleo hoje explorado, embora não fosse “má idéia” também revê-las.


Para o júbilo de todos, no entanto, ainda há uma esperança: que o congresso interprete o “nosso” como de todos nós brasileiros e reintegre, ao marco regulatório do Pré-sal, a regra de partição como foi originalmente proposta, ou seja, a divisão isonômica entre todas as unidades da federação. Mesmo porque, resta lembrar, a condução deste tipo de definição é prerrogativa exclusiva – bem como razão da existência – do Parlamento. E a despeito de todo poder que exerce em Brasília, São Paulo não terá êxito em se impor na Casa Povo, dada a vantagem numérica de parlamentares de outros estados.

MORAL DA ESTÓRIA
Qual a será o modelo de partição dos royalties decorrentes do Pré-sal caso o governador de São Paulo, José Serra, venha a se eleger presidente? “Nosso” ou “Deles”?

Sunday, October 4, 2009

Eleições 2010: Chance de mudança?

Primeiramente, reiteramos o viés apartidário deste movimento. Contudo, é dito que uma das razões do Brasil ser hoje um país extremamente heterogêneo é porque há anos apenas indivíduos que fizeram carreira política no Estado de São Paulo dominam o cenário nacional. Por exemplo, nos últimos quatro pleitos presidenciais todos os participantes do segundo turno fizeram carreira política em São Paulo: São eles: FHC, Lula, Alckmin e José Serra. Este último, pré-candidato às eleições de 2010. Nada contra esses políticos, muito pelo contrário: alguns deles são sim muito competentes. Mas dizem que é bom para o país e para a democracia brasileira que a chefia do poder executivo seja encabeçada por políticos de outra realidade. Por fim, cabe aqui um parênteses: é natural que o Estado de São Paulo – maior colégio eleitoral, centro econômico do país e do qual todos devemos ser gratos – domine o cenário político uma parcela relevante do tempo. O que não é natural é o que ocorre hoje, quando eles dominam todo o tempo.

A POLÍTICA DO CAFÉ COM CAFÉ

Quem Somos

Representantes da sociedade civil descontentes com a política vigente – em que é cada vez mais evidente a “monopolarização” da federação.

Objetivo

Principiar um movimento nacional a favor da homogeneização/descentralização da política e economia brasileira, hoje totalmente focada em apenas uma das 27 unidades federativas da nação. Em outras palavras, gostaríamos de lutar contra a manutenção do status quo da política brasileira, i.e., a política do Café Com Café.

O que não objetivamos

O motor deste movimento é calcado em valores de cidadania e patriotismo e, portanto, não visa qualquer retorno financeiro, profissional ou pessoal. Não objetivamos nos posicionar contra ninguém, colocar alguns de nós brasileiros contra outros, ou fazer apologia a qualquer forma de preconceito. Muito pelo contrário, objetivamos, sim, um Brasil – igualmente – de todos.

O porquê do movimento

Combater a política do Café Com Café que somente atende a interesses de minorias e agrava as diferenças socioeconômicas do país. Acreditamos que a quebra desta política é condição sine qua non para o desenvolvimento dos demais estados da Federação individualmente e, quiçá, a elevação do país a um patamar das grandes nações do globo. Na realidade, este movimento já existe há quase um século. Embora em estado latente desde a revolução de trinta, há indícios irrefutáveis do recrudescimento de tal atividade.