Friday, October 30, 2009

Futebol: Política do Café Café no Brasileirão

Muitos pensarão. Futebol? Ah não... Quer queira ou não, este esporte é extremamente importante para a política e economia brasileiras. Portanto, ele é sim reflexo do que se passa nas demais esferas brasileiras. O futebol, não por acaso, sofre com as mazelas desta concentração de poder e renda. Há uma monotonia quanto à origem dos times campeões. Há anos times tradicionais como o Clube de Regatas do Flamengo, detentor da maior torcida do Brasil, deixaram o papel de protagonistas no cenário futebolístico nacional. Outros, igualmente importantes, como o Internacional, Cruzeiro, Grêmio e Atlético paranaense testemunharam títulos escaparem por muito pouco. Já Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro, Vasco, Coritiba, Bahia, Fortaleza, Náutico, Grêmio e Esporte, todos, tiveram passagens pela segunda divisão. A capital brasileira, Brasília, sequer possui um time na elite do futebol brasileiro. Coisa análoga ocorre com Pará, Amazonas, Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e tantos outros. Nem mesmo times tradicionais do interior paulista, como Ponte e Guarani, escapam desta política, focada na Avenida Paulista.

Não haveria problema algum com tudo isso caso esses incidentes fossem frutos de questões meritocráticas apenas, ou seja, conseqüências exclusivas de boas e más administrações dos clubes. Mas não são. Somente neste ano , dois clubes se sentiram tão prejudicados ao ponto de publicarem manifestos contra o que chamaram de favorecimento:

“Além de todas as críticas pesadas, Perrella ainda insinuou favorecimento aos times de São Paulo no Brasileiro ao comentar que a imprensa denunciou que o senhor Sérgio Corrêa tem despachado todas as sextas-feiras da sede da Federação Paulista de Futebol. "Se for verdadeira essa acusação, tal postura nos parece gerar constrangimentos e ser antiética", reforçou.” Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro.

“No entanto, para o dirigente, as atuações da arbitragem em jogos do **** não são premeditadas ou envolvem alguma entidade do futebol brasileiro. Carvalho garante que outros fatores fazem os árbitros terem mais cautela contra os paulistas. Não é complô (...)é um clube de São Paulo, e isso cria uma forma de não se poder arbitrar contra." Fernando Carvalho, vice-presidente de futebol do Inter.

Nossa intenção não é lançar dúvidas sobre o caráter dos nossos árbitros, na sua grande maioria, competentes e honestos. Mas é, sim, lançar luz na pressão – mesmo que invisível – que os mesmos sofrem para não errar contra times de certas localidades...